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Parte de talude de mina da Vale se desprende em Barão de Cocais; barragem não foi afetada

As primeiras avaliações indicam que o material está deslizando de forma gradual, sem maiores consequências, segundo a mineradora. Moradores de áreas próximas já tinham deixado suas casas há meses.

Parte de uma das paredes (talude norte) da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais, se desprendeu nesta sexta-feira (31). A Barragem Sul Superior, a 1,5 km da mina, não foi afetada, segundo a Vale.

“A Vale informa que identificou ao longo da madrugada desta sexta-feira, 31/5, o desprendimento de fragmentos do talude norte da cava da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG). Esses blocos se acomodaram no fundo da cava. As primeiras avaliações indicam que o material está deslizando de forma gradual, o que até o momento corrobora as estimativas de que o desprendimento do talude deverá ocorrer sem maiores consequências”, diz a nota da mineradora. (veja a nota da Vale na íntegra no final da reportagem)

À princípio, a mineradora, Defesa Civil e Agência Nacional de Mineração temiam que a constante movimentação do talude provocaria a sua queda de forma brusca. Em um cenário mais grave, a vibração do colapso poderia causar o rompimento da Barragem Sul Superior.

Cerca de 500 moradores da área mais próxima da mina, chamada de zona de autossalvamento, já estavam fora de casa desde fevereiro. As mais de 6 mil pessoas que vivem na zona secundária de segurança, a cerca de 15 km do talude, só devem deixar suas casas se a barragem se romper.

O volume da Sul Superior é de cerca de 7 milhões de m³, pouco mais da metade da Barragem do Córrego do Feijão que se rompeu em Brumadinho no dia 25 de janeiro e matou 241 pessoas. A lama de rejeitos da barragem em Barão de Cocais demoraria 1h12 para chegar até a zona secundária.

A população da cidade fez dois simulados de emergência. Em caso de queda da barragem, alarmes serão disparados e carros de som vão orientar as pessoas a sair de casa. De acordo com a Defesa Civil, elas devem seguir para pontos de encontro determinados (veja no mapa).

Movimentação do talude

O paredão se formou à medida que Mina do Gongo Soco foi sendo escavada para retirada de minério de ferro. Nesta semana, o talude norte estava se movimentando de 24 a 29 cm por dia. Quando estava estável, ele se movimentava cerca de 10 cm por ano, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Em um documento enviado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pela Vale, a engenheira geotécnica Rafaela Baldi explicou por que isso estava acontecendo. “É comum que parte do talude que fica mais no alto se desprenda. O talude está ‘pelado’, foi escavado e está solto, lá em cima. Com as vibrações típicas da atividade minerária, esta estrutura vai se desestabilizando.” A engenheira também falou sobre a possibilidade de haver um problema geológico na área.

Segundo a Vale, a Mina de Gongo Soco está paralisada desde 2016, e a Barragem Sul Superior está entre as dez que a empresa pretende eliminar. Ela foi construída pelo método de “alteamento a montante”. Considerado ultrapassado e menos seguro do que outras alternativas existentes, é o mesmo método usado na construção de barragens que se romperam em Brumadinho (2019) e Mariana (2015).

A mineradora falou, em fevereiro deste ano, sobre os riscos para a barragem com a queda do talude da mina. Segundo a empresa, as vibrações no solo poderiam causar o rompimento da estrutura que contém os rejeitos de mineração. E um mar de lama poderia se espalhar por uma parte de Barão de Cocais. Seria a terceira tragédia ambiental envolvendo barragens no Brasil em menos de quatro anos.

Obras para conter rejeitos

A Vale informou que começou no dia 16 de maio a terraplenagem para a construção de uma contenção de concreto a 6 km abaixo da Sul Superior. O objetivo da estrutura é reter grande parte do volume de rejeitos caso a barragem se rompa.

Fonte:  https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/05/31/parte-de-talude-de-mina-da-vale-se-desprende-em-barao-de-cocais-barragem-nao-foi-afetada.ghtml

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